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Pôncio Pilatos

Tipo: Teologia/Hist. Igreja / Autor: Diversos Autores

PÔNCIO PILATOS (CC)

Pôncio Pilatos é um personagem bem conhecido em todo o cristianismo, tanto entre protestantes, católicos ou ortodoxos. O seu nome foi incluído no antigo Credo Romano, conhecido como Credo dos Apóstolos e está para sempre ligado à morte de Jesus Cristo, “....padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado...” A ideia que temos desde crianças é que Pilatos foi o “homem mau” que matou a Jesus.

Irá parecer certamente estranho um estudo sobre este homem tão contraditório. E começa por ser contraditório logo no seu nome, pois Pôncio deriva de ponte, a mesma palavra que deu ponte e pontífice, portanto com uma semântica pacífica, conciliadora, ao passo que Pilatos deriva de pílum, a terrível arma romana, espécie de dardo pesado com que os romanos constituíram o seu império.

Mas deixem-me dizer-lhes como surgiu a ideia um tanto estranha dum estudo sobre Pilatos.

Inicialmente estudava na minha Bíblia, tentando meditar no significado daquilo a que chamei “O silêncio do Mestre”. De facto, Jesus Cristo, quando foi preso e julgado, quando lhe fizeram as mais variadas acusações, manteve um silêncio difícil de entender por quantos estavam habituados a ouvi-lo no Templo.

Jesus respondeu somente quando o sumo sacerdote lhe perguntou se era o Cristo.

Tentava meditar no significado do silêncio do Mestre perante os seus acusadores, mas afinal, tive de desistir desse estudo, porque.... Há uma excepção. Uma única excepção, e essa excepção chama-se Pôncio Pilatos.

Eu desisti do estudo que tencionava efectuar, pois afinal não era verdade o que pretendia dizer.

Mas uns tempos depois voltei a meditar no assunto. Porquê Pôncio Pilatos? Porque é que Jesus abriu uma excepção para esse homem? O que terá visto o Mestre que talvez tenha passado despercebido aos homens do seu tempo incluindo os evangelistas?

A Bíblia pouco nos diz sobre Pilatos, mas é interessante que o historiador seu contemporâneo Flávio Josefo registou pormenores do governo de Pilatos na Judeia que nos poderão ajudar a compreender o seu comportamento no julgamento de Cristo.

Pilatos é o homem que a providência divina designou para ser o juiz do Mestre, cujo julgamento ficou como um exemplo das limitações e das falhas da justiça humana.

Pilatos teve o poder de condenar ou de absolver a Cristo, no entanto, embora tivesse dito: “Não acho nele crime algum...” Pilatos acaba por condenar Cristo à crucificação.

Cremos que a morte de Cristo obedeceu aos planos divinos e que Pilatos há muito estava predestinado para ordenar que Cristo fosse crucificado.

No entanto, examinando o caso de Pilatos em particular, podemos perguntar: Quais as razões que levaram Pilatos a assumir tal atitude? Até que ponto era ele livre para julgar e para decidir?

Para melhor compreendermos a atitude de Pilatos, julgo que será útil mencionar alguns factos históricos relativos ao seu governo, antes do julgamento do Mestre.



Pilatos só é conhecido na história desde que o Imperador Tibério o nomeou governador da província de Judeia no ano 26, ficando praticamente com poder absoluto, embora subordinado a Cesareia.

Certa noite, Jerusalém dormia descansada quando chegou o novo governador. Esta imponente entrada em Jerusalém, altas horas da noite, nada teria de anormal se não fosse o facto dos soldados terem desfilado pelas ruas da Cidade Santa com as insígnias do novo governador.

Tratava-se de pequenas águias de prata com a imagem do Imperador, que era hábito retirar ao entrar em Jerusalém, pois simbolizavam o Imperador, não só como a máxima autoridade quer civil quer militar, como ainda eram um símbolo do Imperador como divindade.

A entrada de Pilatos foi diferente da dos governadores que o antecederam, pois ele ordena que as suas tropas desfilem pelas ruas de Jerusalém com o símbolo do Imperador.

Pilatos viera certamente um tanto contrariado para um local tão longe de Roma e tão difícil de governar. No entanto, as qualidades que mostrasse nessa altura como Governador da Judeia, talvez o ajudassem a conseguir os seus ideais: Um alto cargo junto do Imperador e uma vida descansada em Roma, a capital do mundo.

Ele saberia ensinar a esse povo cobarde e supersticioso que o Imperador era o único deus poderoso à face da terra.

No entanto, os problemas surgiram logo no primeiro dia do governo de Pilatos. O povo reagiu contra os símbolos do Imperador dentro da Cidade Santa e enviou os seus deputados a Cesareia, residência oficial dos procuradores.

Pilatos esperou em vão uma revolta armada para poder utilizar os seus soldados para a sufocar em sangue..... Em vez disso, veio a ordem de Cesareia para retirar todas as imagens.

Pilatos tem de obedecer, mas sente-se ferido na sua dignidade. Ele está habituado a ser obedecido e nunca poderá conformar-se em vergar a sua vontade perante esse povo miserável e turbulento. Terá somente de esperar melhor ocasião para mostrar ao povo de Jerusalém que ele é o governador.

A oportunidade aparece tempos depois. Pilatos emprega a corbã, dinheiro sagrado que foi buscar ao Templo, para a construção dum aqueduto de 400 estádios de comprimento, o que dá cerca de 74 quilómetros, para trazer água a Jerusalém.

Os judeus revoltam-se contra tal profanação e cercam o tribunal clamando contra Pilatos. Era a reacção que Pilatos já esperava.... e desejava, pois já tinha os seus soldados à paisana, misturados com a multidão, armados com espadas e bastões que levavam escondidos e a um sinal seu, os soldados atacam a multidão que se viu obrigada a dispersar, havendo muitos mortos e feridos.

Desta vez Pilatos conseguiu fazer o que pretendia, e conseguiu também atingir a principal finalidade que tinha em vista, humilhar os judeus em proveito da sua autoridade.

No entanto, a luta entre Pilatos e os judeus não estava terminada, pois tal facto serviu ainda mais para aumentar o descontentamento do povo e.... o que era mais perigoso para Pilatos, serviu também para chamar a atenção de Cesareia para a sua atitude.

Tempos depois, Pilatos resolve dedicar alguns escudos dourados em honra do Imperador Tibério e colocá-los dentro do palácio de Herodes em Jerusalém, mais para humilhar os judeus do que para honrar o Imperador.

O povo revolta-se novamente, e alguns homens influentes enviam uma petição ao próprio Imperador, que ordena a transferência dos escudos para Cesareia.

Daí em diante, Pilatos terá de ter muita prudência com os seus actos... O descontentamento do povo, já do conhecimento das autoridades de Cesareia, chegara aos ouvidos do próprio Imperador.

Daí em diante, Pilatos tem de sacrificar a sua vaidade e prestígio como autoridade romana, aos seus interesses pessoais. Terá de fazer tudo para ganhar a confiança desse povo miserável, pois nova revolta poderá significar a sua substituição no cargo de Governador da Judeia e o fim da sua carreira.

Tal era a situação de Pilatos na altura do julgamento de Cristo, que João nos descreve João 18:28/38.

Embora o evangelista escreva considerando Jesus como o personagem principal, quero chamar a atenção do leitor para Pilatos, pois é sobre ele que iremos meditar. Por outras palavras, em vez de nos colocarmos ao lado de Jesus, observando o poderoso Juiz rodeado pelos seus funcionários e militares, vamos observar Jesus, colocando-nos ao lado de Pilatos, vamos tentar compreender as dúvidas de Pilatos, viver os seus problemas, seguir os seus pensamentos e se possível, sentir a própria consciência de Pilatos.



Evangelho de João Capítulo 18

28 Depois levaram Jesus da casa de Caifás para a audiência. E era pela manhã cedo. E não entraram na audiência, para não se contaminarem, mas poderem comer a Páscoa.

29 Então Pilatos saiu fora e disse-lhes: Que acusação trazeis contra este homem?

30 Responderam e disseram-lhe: Se este não fosse malfeitor, não to entregaríamos.

31 Disse-lhes pois Pilatos: Levai-o vós e julgai-o segundo a vossa lei. Disseram-lhe então os judeus: A nós, não nos é lícito matar pessoa alguma.

32 (Para que se cumprisse a palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer).

33 Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus e disse-lhe: Tu és o rei dos judeus?

34 Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-to outros de mim?

35 Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim: Que fizeste?

36 Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu reino não é daqui.

37 Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo, tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.

38 Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a ir ter com os judeus, e disse-lhes: Não acho nele crime algum;



É certamente estranha a atitude de Pilatos ao ser incomodado de manhã cedo pela multidão que viera à sua casa. Atitude incompreensível sem esta introdução. A multidão não quis entrar em casa de Pilatos para não se contaminar entrando em casa dum gentio. Não seria isso, um insulto para o altivo governador romano? Os miseráveis, sujos e famintos tinham medo de se contaminar entrando no seu palácio. E ainda mais, eles quase que exigiam um julgamento imediato.

O mais natural seria determinar que o processo de Cristo seguisse os seus trâmites legais. Somente a ele, Pilatos o governador, é que competia marcar a data do julgamento. No entanto, Pilatos, o altivo governador que entrou em Jerusalém, está transformado. Somente uma coisa o preocupa: Arranjar uma boa oportunidade para captar as simpatias do povo e das autoridades religiosas da Judeia.

Pilatos resolve transgredir a Lei Romana, resolve agradar aos sacerdotes, resolve efectuar o julgamento quase na rua.

É verdade que por vezes, quando uma grande multidão desejava assistir ao julgamento, por falta espaço no “Pretório”, onde normalmente eram efectuados os julgamentos, estes eram efectuados diante do Palácio dos Procuradores romanos, a bem da transparência da justiça romana, para que não houvesse julgamentos à porta fechada. Tratava-se dum grande largo onde cabia uma grande multidão segundo descrição dos historiadores da época. Isso aconteceu com Géssio Floro, sucessor de Pilatos que realizou alguns julgamentos no largo em frente do Pretório.

No entanto, no caso do julgamento de Cristo, a essa hora da madrugada, não havia certamente uma multidão tão grande, que não coubesse na sala do tribunal. O motivo foi outro como nos conta João. ...para não se contaminarem, mas poderem comer a Páscoa.

A autoridade civil, constituída para manter a ordem e a paz, se rebaixa a servir os interesses do fanatismo da autoridade religiosa.

Pilatos esquece a sua Lei a fim de agradar àqueles que se diziam representantes de Deus.

Ele já se tinha certamente informado a respeito de Cristo e já devia saber o que se passava quando se aproximou da multidão. No entanto, resolve perguntar cautelosamente: Que acusação trazeis contra este homem?

Os sacerdotes o consideravam como tendo transgredido os seus rituais. Mas que é que isso interessava a Pilatos? Não fora por causa dessa lei ridícula que esse povo miserável o insultara não querendo entrar no seu palácio?

A Pilatos só interessava a Lei de Roma. Era para defender os interesses de Roma que ele aí estava.

Se este não fosse malfeitor não to entregaríamos. Resposta típica dum sacerdote, que se entrincheira por detrás da sua altivez, mostrando-se ofendido na sua dignidade sem no entanto assumir qualquer compromisso duma acusação.

No entanto, Pilatos não se deixa influenciar por tal manifestação de santidade e de dignidade.... Já não é o jovem e inexperiente governador que entrou em Jerusalém. Já teve tempo para estudar a mentalidade judaica. Podemos ver que Pilatos se apresenta cautelosamente para esse encontro entre o poder civil e religioso.

Ele examina a multidão à sua frente. Na verdade os seus informadores não exageraram quando lhe falaram na importância do homem que tinha de julgar.

Jesus Cristo não era um homem vulgar. Os seus seguidores o abandonaram, mas pela quantidade e principalmente pela qualidade dos seus inimigos se poderia avaliar o valor do homem.

Pilatos prevê novo descontentamento entre o povo, que poderá ser fatal para a sua carreira como governador. Novas revoltas, novas contrariedades e tenta uma saída airosa: Levai-o vós e julgai-o segundo a vossa lei.

Pilatos compreendia perfeitamente o problema que tinha de resolver.

Podemos ver isso na maneira prudente como inicia o julgamento. Ele obriga os judeus a apresentar uma acusação formal contra o Mestre.

No entanto, os sacerdotes prevêem a atitude de Pilatos, caso lhes apresentassem as verdadeiras razões que os levaram a prender a Jesus. Mais um profeta?... Um novo deus que desceu à terra?...

Pilatos não poderia deixar de sorrir e de encolher os ombros. Então o problema era religioso..... As autoridades religiosas que o resolvessem. Roma concedia liberdade de religião, e ele, Pilatos, de maneira alguma estava interessado em interferir em tais assuntos.

A atitude dos sacerdotes está mais claramente exposta em Lucas 23:2 E começaram a acusá-lo, dizendo: Havemos achado este, pervertendo a nossa nação, proibindo dar o tributo a César, e dizendo que ele mesmo é Cristo, o rei.

Na impossibilidade de resolver um problema religioso, resolvem criar um problema político, para que a autoridade civil se veja obrigada a agir e resolva ambos os problemas, arcando com toda a responsabilidade.

Pilatos é inteligente, e está bem informado. Ele sabe qual o verdadeiro problema que tem de resolver. Ele sabe o que exigem dele as autoridades religiosas, mas é demasiado pesado o preço que Pilatos terá de pagar para conquistar a sua simpatia. Pilatos terá de ser o único responsável pela morte dum inocente.... Terá de legalizar um assassínio perante o governo de Roma. Para que se cumprisse a palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer.

Cristo tinha já revelado de que morte havia de morrer e por esse facto, Pedro quase que o repreendera. Tal morte só poderia ser imposta pelos romanos, e várias vezes Cristo manifestara publicamente a sua opinião a respeito das autoridades civis. A César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Todo o mundo presenciara a sua entrada triunfal em Jerusalém, e se as autoridades romanas não o prenderam nessa altura, é porque não o consideravam como elemento perigoso.

Das muitas pessoas que contactaram com o Mestre durante a sua vida terrena, poucos viram nele o Messias, e ainda menos, reconhecendo-o como tal, tiveram coragem para o seguir. Pilatos quis contactar com o Mestre, não perante a multidão desordeira, nem em presença dos sacerdotes com cuja sinceridade sabia não poder contar.

Pilatos quis procurar a Verdade.

Já há muito tempo, desde a sua adolescência que não se preocupava com tais problemas... Ele, que como todos os jovens, começara certamente a sua carreira de militar cheio de nobres ideais embora segundo os conceitos da sua época.

No entanto, na sua luta diária pela vida em contacto com a sociedade corrompida do grande Império Romano, Pilatos para poder vencer, teve de se tornar mais tolerante consigo próprio, teve de se adaptar à sociedade em que vivia, teve de sacrificar um a um, todos os seus ideais, até conseguir o alto cargo que lhe fora confiado.

Pilatos, pode-se dizer que tinha vencido na vida sob o aspecto humano, no entanto, pela sua atitude e pelo facto de Jesus ter quebrado o seu silêncio, penso que a sua alma ainda ansiava pela Verdade.

Apesar da sua boa posição, Pilatos não era feliz, pois sabia ser odiado por todos à sua volta.

Nada sabemos sobre a religiosidade de Pilatos, mas caso ele procurasse o conhecimento da Deus, onde poderia ele satisfazer a sua alma? Nos deuses da mitologia romana ou grega? Nos seus majestosos templos rituais ou procissões? Pilatos os considerava como úteis sob o aspecto estético, para enfeitar o seu palácio e também para entreter as almas simplórias do povo de Roma, mas não satisfaziam as suas aspirações espirituais.

Um Deus todo poderoso, criador dos céus e da terra, talvez lhe fosse mais aceitável. Mas caso alguma vez Pilatos tivesse admitido tal hipótese, como poderia ele encontrar a Verdade nesses sacerdotes que se diziam seus representantes?

Há muito que Pilatos, homem culto da sua época, teve de renunciar à busca da verdade. Mas Pilatos tem agora a sua oportunidade de se encontrar com a Verdade.

Uma entrevista com Cristo. Oportunidade maravilhosa que os nossos teólogos hão de contemplar para sempre com justificada inveja. Quanto não daríamos nós para assistir a tal entrevista e ter o relato completo de tudo que foi dito nessa altura?

No entanto, João nos relata algumas das principais frases trocadas entre Pilatos e Jesus Cristo.

Pilatos começa com a pergunta que mais o preocupava na sua qualidade de governador de Judeia: És tu o Rei dos judeus?

As autoridades religiosas já tinham feito essa acusação contra Cristo, no entanto, Pilatos tinha boas razões para não acreditar neles. Deveria ter pensado: Será possível que sendo rei, fosses entregue pelos teus próprios súbditos, que não tivesses oposto resistência e te apresentes humilde e indiferente ao que se passa? Se nasceste para reinar, não será a tua morte o fim de todos os teus planos? Se fores executado, daqui a um mês já ninguém se lembrará de ti. Como podes estar impassível perante a morte? Que sabes tu que eu ainda não tenha descoberto? Donde te vem a serenidade com que aceitas o teu fim?

Que poderemos nós pensar da atitude do Mestre nessa altura? Durante o julgamento, Cristo manteve-se calado a maior parte do tempo, no entanto decide agora romper o seu silêncio e é o próprio Cristo que pergunta: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-to outros de mim?

Cristo olha atentamente para Pilatos como se lhe perguntasse: És tu, Pilatos, que queres saber quem eu sou? Há em ti algum espírito de sincera investigação, ou repetes simplesmente o que ouves dizer aos outros?

Pilatos sente que apesar de todo o seu poder, de toda a sua boa organização, de todos os seus peritos e informadores, não está preparado para julgar o homem que tem à sua frente. Somente informações vagas e contraditórias chegaram ás suas mãos.

Os sacerdotes do Templo, que tantas preocupações lhe davam, nunca se tinham mostrado tão fiéis a Roma. Não seria isso, motivo para que procedesse com prudência? Quem seria o homem que tinha na sua frente?

Não havia dúvidas de que o problema era religioso, mas se ambos tinham um inimigo comum, os sacerdotes do Templo, não seria caso para que Pilatos o protegesse?

Pilatos tinha já ouvido os seus funcionários e conselheiros. Os sacerdotes do Templo, máximos representantes dos judeus, já se tinham pronunciado, mas nessa altura Pilatos daria mais importância à resposta do próprio Cristo.

Até que ponto teria Pilatos compreendido a resposta de Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu reino não é daqui.

Não há dúvidas de que os servos de Jesus não lutaram contra Roma. O Governo Romano tinha uma boa organização, e é muito provável que antes da entrevista com Cristo, Pilatos tivesse lido atentamente o relatório dos funcionários encarregados de entrevistar o Centurião de Cafarnaum. O mesmo continuara a sua carreira militar e o Mestre atendera o seu pedido, sabendo que se tratava dum oficial do exército romano.

Embora Pilatos não pudesse compreender a resposta de Jesus, uma palavra lhe chamou a atenção. A palavra reino, e a pergunta surge imediatamente: Logo, tu és rei?

Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.

Para dar testemunho da verdade... A Verdade era o que Pilatos tinha procurado em vão na mitologia e na filosofia. Era a Verdade que ele procurava nesse momento como juiz e como governador de Jerusalém. Procurava uma compreensão total do problema para poder decidir em paz e segurança.

No entanto, o réu que tinha de julgar, esse judeu ferido e amarrado, parecia mais seguro e mais calmo do que ele próprio.

Embora muita coisa escapasse à sua compreensão, Pilatos tem por momentos consciência da realidade: O homem que tinha à sua frente estava inocente e ele, Pilatos, o Juiz, o Governador, embora reconhecendo a sua inocência teria de o condenar.

A consciência de Pilatos o acusa de injustiça e de cobardia, mas mais uma vez, Pilatos terá de abafar a voz inoportuna da sua consciência.

A multidão aguardava lá fora para observar atentamente a atitude de Pilatos. Todas as suas palavras e os mínimos gestos, seriam no dia seguinte comentados em Cesareia. Talvez nessa mesma tarde, quando os ventos e as marés fossem favoráveis para a partida do primeiro barco com destino a Capri onde estava nessa altura o Imperador, levaria também o relatório de algum secreto informador com a descrição completa de todas as causas que alvoroçaram o povo e das providências tomadas por Pilatos para fazer voltar Jerusalém à normalidade.

Se condenasse o inocente, era pouco provável que o Imperador Tibério viesse a pedir-lhe responsabilidades pela injustiça cometida, mas se o livrasse, daria motivo à reacção dos sacerdotes, novos distúrbios e possivelmente nova revolta em Jerusalém, os interesses de Roma obrigariam a nova intervenção militar e a justiça para um inocente seria paga com o sangue de muitos civis e militares..... Cristo teria de morrer.

Para o povo que contemplava a cena de longe, e também hoje em dia, para o crente que passa uma vista de olhos despreocupada pela sua Bíblia, Pilatos é o Juiz poderoso que podia condenar ou absolver a Cristo.

No entanto, a Verdade..... Como sabe bem a Pilatos, cansado de tanta injustiça e hipocrisia ouvir falar da Verdade.

Será possível que esse judeu, que tanto dera que falar, compreendesse a sua posição? O caso que o destino lhe colocou pela frente ultrapassava de longe os poderes de Pilatos e do Tribunal de Jerusalém. Pilatos, sem o saber, tem nas suas mãos o destino de toda a humanidade.

A verdade, perante César, é que ele, Pilatos, é o único responsável pela morte dum inocente. Os judeus clamavam pela crucificação de Cristo, e Pilatos já se sentia em parte atingido pelo seu ódio, pelo facto de ter tentado libertar a Jesus.

Sim, Pilatos por momentos tem a noção da verdade. Os culpados estão lá fora do seu palácio, clamando por sangue e vingança. Culpado é também ele, que vendo a verdade, não tem coragem para a aceitar. A culpa cabe a toda a humanidade. Culpados somos todos nós.

Pilatos e Cristo estão frente a frente. Cristo tem as mãos atadas mas o espírito livre. Pilatos, sentado na sua cadeira de Juiz, tem consciência das limitações da sua própria liberdade. É o produto de gerações de pecadores a quem pedem para julgar o único Justo.

Cristo contempla Pilatos com piedade, e poderemos dizer mesmo com compreensão e amor. Nesse momento, em que os pecados da humanidade se acumulavam perante a sua face, nesse momento em que os discípulos o abandonaram, somente Pilatos, tenta um esforço para o salvar.

Cristo lhe dirá mais tarde: Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado; mas aquele que me entregou a ti, maior pecado tem. João 19:11.

Justiça para Cristo, é atitude que excede as possibilidades de Pilatos. Quando Cristo padecesse pelos pecados da humanidade, teria de estar só e abandonado, Pilatos não o poderá ajudar. Embora reconhecendo nele o único justo, teria de o condenar, teria de deixar que Cristo fosse vítima da sua fraqueza, da sua cobardia e do seu pecado.

Vamos terminar com a pergunta de Pilatos à multidão: ...Que farei então de Jesus chamado o Cristo ?... Mateus 27:22

Que faremos nós do Cristo que vos tem sido apresentado, do Cristo que morreu pelos vossos pecados?

Certamente que não será a resposta do antigo povo eleito, a resposta dos “religiosos”: Seja crucificado.

A nossa primeira tendência é seguir a atitude de Pilatos: Levai-o vós... Isso não é comigo. Eu sou neutro ...



A Bíblia nada nos diz quanto ao futuro de Pilatos.

Embora haja alguns livros apócrifos sobre o assunto, alguns até aceites pela Igreja Copta que crê na sua posterior conversão, infelizmente, a informação mais digna de crédito é que Pilatos se tenha suicidado alguns dias depois da morte do Imperador Tibérius.

Pilatos não conseguiu fugir à sua responsabilidade com a simples lavar das suas mãos, e é essa também a posição de quem alguma vez ouviu a mensagem da salvação.

O simples lavar das mãos à frente da multidão não foi o suficiente para sossegar a consciência de Pilatos. Para grande parte dos cristãos, ele continua a ser o único responsável pela execução de Jesus Cristo.

Vinte séculos depois, ainda podemos ouvir a acusação que pesa sobre este homem: ....padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado...



Camilo - Marinha Grande


Fonte: http://www.estudos-biblicos.com


 

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